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TEXTO COMPLEMENTAR

O empirismo, como vimos no vídeo, considera que afirmativas a respeito do mundo não podem estar desvinculadas da experiência humana. Esse entendimento pode ser subdivido em dois pontos: (1) crítica quanto ao significado e à inteligibilidade, e (2) crítica quanto à verdade.

 

Crítica quanto ao significado e à inteligibilidade

Os empiristas desenvolveram o argumento de que uma afirmativa só tem significado e inteligibilidade se ela se refere à (ou está baseada em) experiência humana. Logo, toda teoria, termo ou alegação que não se relacione com eventos que possam ser experienciados por seres humanos não possuem significado e não são inteligíveis, ou seja, não podem ser compreendidos.

sensesSe alguém afirma que “o gato está sobre o tapete” ou que “a atmosfera de Júpiter contém amônia”, essas são afirmações que podemos verificar com o uso dos sentidos, ou seja, podemos experienciar. Podemos ver se o gato está de fato sobre o tapete, assim como podemos analisar a composição da atmosfera de Júpiter. Mas note que, no segundo caso, a afirmação não poderia ser verificada empiricamente antes da invenção do telescópio, das viagens espaciais e da química moderna. Então, uma afirmação pode estar para além da experiência humana em um dado período histórico e não em outro.

Contudo, se alguém afirma “Deus existe, é eterno, imutável e imaterial”, tal afirmativa estaria, invariavelmente, para além da experiência humana? Isso depende do que consideramos “experiência humana”. Como vimos no vídeo, no contexto do empirismo o único tipo de experiência válida como fonte segura de informações, em qualquer momento histórico, é aquela proporcionada pelos nossos sentidos. Assim, um empirista questionaria: “Um ser humano pode verificar, pelos sentidos, a existência de um ser descrito como eterno, imutável e imaterial?”

Crítica quanto à verdade

Quando os empiristas afirmam que determinadas alegações não têm significado (e por isso não são inteligíveis), eles estão se referindo à capacidade de testagem dessas alegações. É impossível realizar um teste ou um procedimento confiável para verificar se certas afirmações são verdadeiras ou falsas.

Por isso, o empirismo defende o princípio de que qualquer suposição que não possa ser submetida à experimentação (ou não consiga gerar hipóteses que possam ser submetidas à experimentação em testes empíricos) não tem nenhum valor. Segundo esse entendimento, se abrirmos mão da disciplina da testagem de afirmações através de procedimentos confiáveis, todas as afirmações seriam aceitáveis. Em outras palavras, sem a disciplina e a orientação da experiência empírica, qualquer coisa seria considerada válida.

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Obras sugeridas:

 

“Iniciação à História da Filosofia - Dos Pré-Socráticos a Wittgenstein”, 8 ed., de Danilo Marcondes.

“A Conceptual History of Psychology”, de John D. Greenwood.

“An Introduction to the History of Psychology”, ed. 7, de B. Hergenhahn e T. Henley.

“The philosopher’s toolkit : a compendium of philosophical concepts and methods”, 2 ed., de Julian Baggini and Peter S. Fosl.

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