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TEXTO COMPLEMENTAR

 

Como vimos no vídeo, Thomas Hobbes e Francis Bacon foram amigos, mas, curiosamente, Hobbes nunca foi convidado a participar da British Royal Society (a Sociedade Científica de Londres) fundada em 1660. O motivo de nunca ter havido um convite se deve ao fato de que a sociedade era repleta de baconianos, e Hobbes rejeitava peremptoriamente o método indutivo de Bacon. Ele acusava os baconianos de desperdiçarem muito tempo com aparelhos e experimentações, e de preferirem seus olhos, ouvidos e dedos aos seus cérebros.

 

Fenômenos psicológicos

Hobbes tentou dar conta de diversos fenômenos psicológicos utilizando como arcabouço o empirismo e o mecanicismo. Ele considerava, por exemplo, que a atenção explicava-se pelo fato de que, em certos momentos, os órgãos dos sentidos se detêm nos movimentos de certos objetos externos e, então, tornam-se menos capazes de responder a estímulos de outros objetos.

Ele afirmava, ainda, que os objetos externos não apenas impressionam nossos sentidos, mas também influenciam as funções vitais do corpo. Essas impressões sensoriais que facilitam as funções vitais são experimentadas como prazerosas, e as pessoas tentam preservá-las ou buscá-las. Inversamente, as sensações incompatíveis com as funções vitais são percebidas como dolorosas, e as pessoas tentam evitá-las. Logo, Hobbes percebe que o comportamento humano é motivado pelo apetite (a busca ou manutenção prazer) e a aversão (a interrupção ou evitação do desprazer).

Segundo Hobbes, usamos palavras como amor ou bom para descrever coisas que nos agradam, e palavras como ódio ou ruim para nos referirmos a coisas pelas quais temos aversão. Ao igualarmos o bom com o prazer, e o ruim com o sofrimento, Hobbes situa-se como um relativista moral. Nada é objetivamente bom ou ruim, esse julgamento depende da percepção de cada pessoa.

 

Livre-arbítrio

O livre-arbítrio, na visão de Hobbes, é apenas uma ilusão. As pessoas acreditam que escolhem porque, em certos momentos, veem-se confrontadas entre alguns apetites e aversões, então se instalam tendências contraditórias para agir de determinadas maneiras. A vontade nada mais é do que a tendência que prevalece frente às demais. Quer dizer, a escolha nada mais é do que um nome que damos a esse processo no qual apetites e aversões coexistem enquanto interagimos com o mundo. Na medida em que uma tendência comportamental prevalente emerge, a liberdade é tão somente a condição de não haver nenhum impedimento à ação.

 

Processos mentais complexos

Hobbes tentou explicar também como ocorre o encadeamento dos nossos pensamentos, ou seja, a tendência de um pensamento ser seguido por outro e mais outro de forma coerente. Para explicar o fenômeno, Hobbes recuperou a lei da contiguidade apresentada por Aristóteles. Segundo essa lei, eventos que são vividos juntos, também são lembrados juntos, formando assim uma cadeia de pensamentos que se sucedem numa ordem específica. Todos os empiristas britânicos posteriores a Hobbes aceitaram essa explicação associacionista para o fenômeno. Também houve adesão total no sentido de negarem a existência de ideias inatas. Contudo, nem todos os empiristas foram tão materialistas e mecanicistas quanto Hobbes.

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Obras sugeridas:

“A Conceptual History of Psychology”, de John D. Greenwood.

“An Introduction to the History of Psychology”, ed. 7, de B. Hergenhahn e T. Henley.

“Hobbes: A Very Short Introduction”, de Richard Tuck.

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