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TEXTO COMPLEMENTAR

 

Horney x Freud

Como foi visto no vídeo, Karen Horney tornou-se cada vez mais crítica em relação à teoria freudiana, mas mesmo assim ela continuou a reconhecer o brilhantismo do seu trabalho. Sua principal disputa com Freud relacionava-se menos à exatidão de suas observações, e mais à validade das suas interpretações. De maneira geral, ela considera que as interpretações de Freud resultam em uma visão pessimista da humanidade baseada em pulsões inatas e na estagnação da personalidade. Já a visão que Horney sustenta oferece um entendimento mais positivo da humanidade, uma abordagem centrada nas influências culturais que podem ser modificadas positivamente, ao contrário dos fatores inatos tão enfatizados por Freud.

 

Exigências da vida social

Horney entende que certas contradições existentes na vida em sociedade tendem a favorecer o surgimento de comportamentos disfuncionais. Por um lado, somos ensinados honrar e respeitar os vínculos familiares e a exercitar a humildade, por outro, esse comportamento virtuoso entra em contradição com outras atitudes socialmente valorizadas como a agressividade e o desejo de vencer ou demostrar superioridade. Ademais, as exigências sociais em termos de sucesso e conquistas são praticamente ilimitadas, de forma que quando atingimos um certo nível de bem-estar material, novos objetivos são constantemente postos diante de nós.

Por fim, a sociedade nos diz que somos livres, que podemos conquistar qualquer coisa através do trabalho duro e da persistência, mas a liberdade da maioria das pessoas é fortemente restrita, seja por problemas congênitos, pela posição social e/ou pela competitividade de outras pessoas. Todas essas contradições – que resultam de fatores culturais e não inatos - geram conflitos intrapsíquicos que ameaçam a saúde psicológica das pessoas saudáveis e oferecem obstáculos intransponíveis aos neuróticos.

 

Mecanismo de defesa contra a ansiedade básica

No vídeo, vimos que a hostilidade básica (fruto de necessidades psíquicas insatisfeitas principalmente na infância) é a fonte da ansiedade básica, e que esta, por sua vez, retroalimenta a hostilidade. De toda forma, Horney esclarece que a ansiedade básica não é uma neurose, embora ofereça um solo propício para a instalação de neuroses a qualquer momento.

A ansiedade básica é constante e incansável, ela não precisa de nenhum estímulo especial para ser sentida (como uma prova na escola ou um compromisso para ministrar uma palestra). A ansiedade básica permeia todos os relacionamentos com outras pessoas e leva a formas nada saudáveis de lidar com os outros.

Segundo Horney, existem quatro formas principais pelas quais as pessoas tentam se proteger da ansiedade básica, quer dizer, dessa sensação de estar sozinho e indefeso em um mundo potencialmente hostil. A primeira forma é a afeição, uma estratégia que nem sempre leva ao amor autêntico. Na busca pela afeição, algumas pessoas podem tentar comprá-la com bajulação, bens materiais ou favores sexuais.

O segundo mecanismo de defesa é a submissão. Pessoas neuróticas podem se submeter a outras pessoas ou instituições como igrejas, sindicatos, associações e outras organizações em busca de afeição.

A luta por poder, prestígio ou posses pode ser uma defesa contra hostilidades reais ou imaginárias. A luta por poder frequentemente assume a forma de uma tendência para dominar outras pessoas; o prestígio é uma proteção contra humilhações e é expresso em uma tendência para humilhar os outros; a posse age como um reservatório contra a perda ou a pobreza e se manifesta pela tendência a explorar os outros ou subtrair o que lhes pertence.

O quarto mecanismo seria a retração. É comum que neuróticos protejam-se contra a ansiedade básica tanto desenvolvendo uma independência em relação aos outros quanto se tornando emocionalmente distanciados em relação a elas. Assim, sentem que não podem ser machucados pelos outros.

Esses mecanismos de proteção não necessariamente indicam uma neurose. De fato, Horney considera que todos usamos esses mecanismos em alguma medida. Um mecanismo se torna doentio quando exagerado e compulsivo, ou seja, quando a pessoa se sente compelida a confiar nele como a única forma de lidar com seus relacionamentos, tornando-se incapaz de utilizar estratégias interpessoais variadas.

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Obras recomendadas:

“New Ways in Psychoanalysis”, de karen Horney.

“Karen Horney: gentle rebel of psychoanalysis”, de Jack Rubins.

“Theories of Personality”, ed. 7, de Jess Feist e ‎Gregory Feist.

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2 Comentários | Deixe o seu comentário
  • Eduardo Andrade

    Olá, ótima iniciativa. vídeos lúdicos e objetivos sobre um tema tão complexo, Parabéns.

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  • Alice

    Olá! Muito bom os vídeos e o texto complementar, super útil. Obrigada!:)

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